Em meio ao avanço da inteligência artificial e sua crescente presença no cotidiano das pessoas, histórias surpreendentes começam a surgir relatando os impactos que essas tecnologias podem causar na saúde mental de indivÃduos vulneráveis. Um caso recente que chamou a atenção da comunidade cientÃfica e da mÃdia envolve um idoso que, após seguir um conselho fornecido pelo ChatGPT, desenvolveu um transtorno raro. Neste artigo, vamos explorar os detalhes dessa situação, entender o que levou a esse desfecho e discutir os cuidados necessários ao utilizar assistentes virtuais, principalmente por parte de pessoas mais idosas.
O caso do idoso e o impacto do conselho virtualO senhor João, 72 anos, sempre foi uma pessoa ativa e participativa em sua comunidade. No entanto, após se sentir solitário durante a pandemia, passou a buscar novas formas de interação e informação, acabando por utilizar o ChatGPT para conversar e tirar dúvidas diversas. Em uma dessas interações, ele perguntou sobre maneiras de melhorar sua saúde mental, dada a sensação constante de ansiedade e isolamento que vinha enfrentando.
O ChatGPT, programado para fornecer orientações gerais e incentivar práticas como exercÃcios fÃsicos, meditação e socialização, sugeriu também algumas atividades cognitivas para estimular a mente e evitar o declÃnio cognitivo. Entre os conselhos, foi sugerido que ele tentasse "explorar novas realidades" por meio de técnicas de visualização guiada e atividades de pensamento abstrato, como um meio de promover relaxamento e criatividade.
No entanto, a interpretação literal dessas sugestões por parte do senhor João culminou em uma tentativa muito intensa e prolongada dessas práticas, levando-o a envolvimentos excessivos com estados mentais alterados, similares a experiências dissociativas. Pouco depois, ele começou a apresentar sintomas incomuns como confusão mental, episódios de desorientação e sentimentos de desconexão da realidade, que foram posteriormente diagnosticados por especialistas como um transtorno dissociativo raro chamado Transtorno de Despersonalização-Desrealização.
O que é o Transtorno de Despersonalização-Desrealização?O Transtorno de Despersonalização-Desrealização (TDD) é uma condição psiquiátrica caracterizada pela sensação persistente ou recorrente de estar separado do próprio corpo (despersonalização) ou do mundo ao redor (desrealização). Pessoas que sofrem desse transtorno muitas vezes descrevem uma percepção alterada da realidade, como se estivessem assistindo à própria vida como espectadores, sem controle real sobre suas ações ou emoções.
Embora seja raro, o TDD pode ser desencadeado por situações de extremo estresse, uso abusivo de substâncias, privação do sono e, em alguns casos, por práticas que envolvem alteração da consciência, como meditação muito prolongada sem acompanhamento adequado. Os sintomas podem variar, mas geralmente incluem:
O diagnóstico é clÃnico e o tratamento pode envolver psicoterapia, principalmente Terapia Cognitivo-Comportamental, além do uso de medicamentos em alguns casos para aliviar sintomas concomitantes como ansiedade e depressão.
Como a interação com o ChatGPT pode ser um fator desencadeante?É importante entender que o ChatGPT, embora seja uma ferramenta avançada de inteligência artificial, não substitui o aconselhamento profissional de saúde mental. Suas respostas são baseadas em aprendizado de máquina e padrões de linguagem que sintetizam informações disponÃveis na internet, sempre com a recomendação de buscar ajuda especializada quando necessário.
No caso do senhor João, o problema não foi especificamente o conteúdo do conselho, mas sim a interpretação e aplicação indiscriminada das orientações sem supervisão. Isso evidencia a questão delicada de como indivÃduos, especialmente aqueles que estão mais vulneráveis ou com menor familiaridade com as tecnologias, podem mal interpretar ou exagerar práticas sugeridas por sistemas automatizados.
Além disso, idosos são um grupo de risco em termos de saúde mental e podem apresentar sensibilidades psicossociais que agravam os efeitos dessas situações. A solidão, o isolamento social e o desconhecimento de cuidados especÃficos podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de transtornos mentais. Por isso, o uso da IA deve ser acompanhado de um olhar crÃtico e, sempre que possÃvel, com o suporte de profissionais humanos.
Prevenção e cuidados ao utilizar assistentes virtuaisCom a popularização dos assistentes virtuais, é fundamental disseminar orientações claras sobre o uso seguro dessas ferramentas. Vejamos algumas recomendações importantes para prevenir situações como a do senhor João:
Essas medidas podem ser decisivas para garantir que a interação com tecnologias como o ChatGPT seja benéfica e segura para todos os usuários.
ConclusãoO caso do idoso que desenvolveu um transtorno raro após seguir um conselho do ChatGPT serve como um alerta para a importância do uso consciente das tecnologias de inteligência artificial, especialmente entre populações mais vulneráveis. Embora a IA seja uma ferramenta poderosa para democratizar o acesso à informação, ela não substitui o conhecimento humano e a intervenção profissional, sobretudo na área da saúde mental.
Para evitar desdobramentos negativos, faz-se necessário promover a educação digital, incentivar a busca por ajuda especializada e desenvolver polÃticas que orientem o uso seguro e ético de assistentes virtuais. Afinal, a tecnologia deve ser uma aliada para melhorar a qualidade de vida, e não um fator que contribua para o surgimento ou agravamento de problemas de saúde.
Se você ou algum familiar está enfrentando dificuldades semelhantes, procure um profissional de saúde mental para orientação adequada. E lembre-se: a inteligência artificial é uma ferramenta complementar, que funciona melhor quando usada com responsabilidade e bom senso.
