A inteligência artificial tem avançado de forma impressionante, e ferramentas como o ChatGPT estão cadairamente mais presentes no nosso cotidiano. No entanto, levantar questões profundas sobre a consciência humana, a mente e a complexidade do cérebro não deveria se limitar à interatividade com máquinas. A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, um dos maiores nomes da neurociência brasileira, traz uma perspectiva essencial sobre os limites do diálogo com inteligências artificiais, principalmente em temas relacionados à consciência e ao cérebro humano.
Em suas reflexões, Suzana alerta para a importância do rigor cientÃfico e da compreensão dos avanços neurocientÃficos para que possamos entender realmente o que é consciência, como o cérebro funciona e por que ainda existem muitos mistérios a serem desvendados. A seguir, exploraremos alguns pontos-chave de sua opinião, para entender por que não devemos esperar do ChatGPT respostas definitivas sobre tais questões.
Antes de mergulharmos na questão do uso de IA para responder dúvidas sobre consciência, é importante compreender a base da perspectiva de Suzana. Ela destaca que o cérebro é uma estrutura complexa, com cerca de 86 bilhões de neurônios, e isso por si só já indica o nÃvel de desafio para a ciência entender todos os seus mecanismos.
Ela ressalta que a consciência não é uma questão trivial ou um simples fenômeno que pode ser explicado rapidamente ou resumido nos termos que uma IA poderia gerar a partir de padrões de linguagem. Em sua visão, a consciência é o resultado de processos biofÃsicos muito complexos, e a pesquisa ainda está longe de elucidar exatamente como ela emerge do funcionamento neural.
ChatGPT é uma ferramenta baseada em linguagem que opera por padrões de texto e dados pré-existentes, treinada para gerar respostas coerentes e similares a textos humanos. Mas, é importante compreender que ela não possui consciência, nem compreende os temas sobre os quais responde.
Esses pontos reforçam a necessidade de buscar fontes confiáveis, literatura acadêmica e especialistas como Suzana para entender a fundo temas que vão além do que uma inteligência artificial consegue explicar.
O fascÃnio pelo ChatGPT e outras IAs é compreensÃvel. Elas oferecem respostas rápidas e acessÃveis, o que democratiza o acesso à informação. No entanto, o risco está na superficialidade e na potencial propagação de informações erradas ou mal interpretadas.
Suzana enfatiza que precisamos desenvolver uma literacia digital e cientÃfica para distinguir entre opiniões fundamentadas e respostas automatizadas que não passam por validação cientÃfica rigorosa. Isso evita que pessoas tomem decisões ou formem crenças baseadas em dados incompletos ou incorretos.
Para temas como consciência, inteligência, e funcionamento cerebral, o diálogo entre pesquisadores, a divulgação cientÃfica de qualidade e a educação são indispensáveis. Suzana Herculano-Houzel, através de suas palestras, livros e entrevistas, busca sempre trazer clareza e rigor, afastando mitos e equÃvocos que permeiam nosso entendimento sobre o cérebro.
Esse método é fundamental para construirmos conhecimento confiável. Por isso, a interação com tecnologias de IA deve ser vista como um complemento ocasional, e não como substituta do estudo sério e do debate cientÃfico.
Em suma, a opinião de Suzana Herculano-Houzel nos lembra que, embora o ChatGPT e outras inteligências artificiais sejam ferramentas poderosas e revolucionárias, elas não são fontes de autoridade para responder perguntas complexas sobre o cérebro e a consciência. A ciência exige paciência, rigor, experimentação e reflexão humana, e é nesse espaço que devemos buscar as respostas.
Portanto, a próxima vez que estiver tentado a perguntar para o ChatGPT sobre o que é consciência, lembre-se: não pergunte ao ChatGPT, mas consulte quem realmente entende do assunto.
